Ginecologia · Saúde hormonal

Terapia de reposição hormonal (TRH) nas falências ovarianas precoces

Receber o diagnóstico de que os ovários pararam de funcionar antes dos 40 anos pode assustar. Entenda o que é a falência ovariana precoce, por que a reposição hormonal é tão importante nesse caso e quais são os caminhos para cuidar da saúde e do sonho de ter filhos.

Atualizado em outubro de 2026 · Leitura de aproximadamente 8 minutos

Resposta rápida

A falência ovariana precoce, hoje chamada de insuficiência ovariana prematura (IOP), é a perda da função dos ovários antes dos 40 anos. Nesses casos, a terapia de reposição hormonal é recomendada não só para aliviar sintomas como calorões e secura vaginal, mas para repor hormônios que o corpo ainda deveria produzir, protegendo ossos, coração, cérebro e vida sexual.

Diferente da menopausa natural, a reposição na IOP costuma ser indicada pelo menos até a idade média da menopausa (por volta dos 50 anos), salvo contraindicação. O esquema, a dose e a via são definidos pelo ginecologista, e as opções de fertilidade, como a ovodoação, devem ser conversadas desde o diagnóstico.

O que é a falência ovariana precoce?

A falência ovariana precoce acontece quando os ovários deixam de funcionar normalmente antes dos 40 anos. Com isso, caem a produção de estrogênio e progesterona e a liberação de óvulos, o que leva a menstruações irregulares ou ausentes e a sintomas parecidos com os da menopausa.

Atualmente, os especialistas preferem o nome insuficiência ovariana prematura (IOP). O motivo é que, em parte das mulheres, os ovários ainda podem funcionar de forma intermitente: algumas voltam a menstruar por um período e uma pequena parcela chega a engravidar espontaneamente. Também se usa a expressão menopausa precoce, sobretudo quando a perda de função é definitiva.

A condição não é rara: estima-se que afete entre 1 e 4 em cada 100 mulheres antes dos 40 anos.

Quais são os sintomas e como é feito o diagnóstico?

1

Ciclo alterado

Menstruações cada vez mais espaçadas, irregulares ou que param por quatro meses ou mais.

2

Calorões e suores

Fogachos, suores noturnos e dificuldade para dormir, como na menopausa.

3

Saúde íntima

Secura vaginal, dor na relação e diminuição do desejo sexual.

4

Dificuldade para engravidar

Muitas vezes é durante a investigação de infertilidade que o diagnóstico aparece.

O diagnóstico é feito pelo médico com base em dois critérios principais:

  • Alteração menstrual (ausência ou irregularidade da menstruação por pelo menos 4 meses) em mulher com menos de 40 anos;
  • FSH elevado no exame de sangue (acima de 25 UI/L), confirmado conforme a avaliação médica. O hormônio antimülleriano (AMH) pode ajudar em casos de dúvida.

Mulheres que usam pílula anticoncepcional podem não perceber a alteração do ciclo, por isso sintomas como calorões ou secura vaginal em idade jovem merecem investigação.

Quais são as causas da falência ovariana precoce?

Na maioria das mulheres, a causa não é identificada (IOP idiopática). Entre as causas conhecidas estão:

GrupoExemplos
GenéticasSíndrome de Turner e outras alterações do cromossomo X, pré-mutação do gene FMR1 (relacionado à síndrome do X frágil), histórico familiar.
AutoimunesAssociação com doenças da tireoide, insuficiência adrenal (doença de Addison) e outras doenças autoimunes.
Tratamentos médicosQuimioterapia, radioterapia na pelve e cirurgias nos ovários, como a retirada dos dois ovários.
OutrasAlgumas infecções e doenças metabólicas raras.

Por isso, após o diagnóstico, o médico pode pedir exames como cariótipo, pesquisa da pré-mutação do FMR1 e dosagem de anticorpos da tireoide e da adrenal, conforme cada caso.

Por que a reposição hormonal é tão importante na IOP?

Na menopausa natural, a terapia hormonal é usada principalmente para tratar sintomas. Na insuficiência ovariana prematura, o raciocínio é outro: o corpo está perdendo, muitos anos antes do esperado, hormônios que ainda deveria produzir. Sem reposição, a falta de estrogênio por tempo prolongado aumenta o risco de:

  • Osteoporose e fraturas, pela perda acelerada de massa óssea;
  • Doenças cardiovasculares, como infarto e AVC;
  • Alterações de memória e humor e possível impacto na saúde cognitiva a longo prazo;
  • Síndrome geniturinária, com secura vaginal, dor na relação e queixas urinárias.

Ponto-chave: as diretrizes internacionais, como a da Sociedade Europeia de Reprodução Humana e Embriologia (ESHRE), recomendam que mulheres com IOP façam reposição hormonal pelo menos até a idade média da menopausa natural, por volta dos 50 anos, mesmo que não tenham sintomas, desde que não haja contraindicação.

Como funciona a TRH na falência ovariana precoce?

O tratamento repõe o estrogênio e, para quem tem útero, também um progestagênio, que protege o endométrio. As principais diferenças em relação à reposição na menopausa natural são:

  • Doses geralmente mais altas, para se aproximar dos níveis que uma mulher jovem teria;
  • Duração mais longa, em geral até por volta dos 50 anos, com reavaliação depois disso;
  • Vias de uso: o estrogênio pode ser usado em comprimido ou pela pele (gel, adesivo ou spray). A via transdérmica costuma ser preferida em quem tem fatores de risco para trombose;
  • Esquema cíclico ou contínuo: no cíclico, a mulher volta a ter um sangramento mensal parecido com a menstruação, o que muitas pacientes jovens preferem.

E a pílula anticoncepcional?

A pílula anticoncepcional combinada também repõe hormônios e pode ser uma opção para algumas mulheres, principalmente quando também se deseja evitar a gravidez. Porém, a terapia hormonal específica tende a ter efeito mais favorável sobre os ossos e a pressão arterial. A escolha entre as duas é feita na consulta.

Se você quer entender a reposição na menopausa que acontece na idade esperada, veja também a página sobre terapia de reposição hormonal na menopausa.

A reposição hormonal é segura em mulheres jovens?

Para a maioria das mulheres com IOP, sim. Os riscos associados à terapia hormonal em estudos com mulheres acima de 50 anos, como o pequeno aumento do risco de câncer de mama, não se aplicam da mesma forma a quem está apenas repondo hormônios que o próprio corpo deveria estar produzindo. As diretrizes indicam que a reposição até a idade da menopausa natural não aumenta o risco de câncer de mama em comparação com mulheres da mesma idade com ovários funcionando.

Mesmo assim, a indicação é sempre individual. Situações como câncer de mama ou outro tumor dependente de hormônio, trombose prévia, doenças do fígado e sangramento vaginal sem diagnóstico exigem avaliação especializada e, em alguns casos, contraindicam o tratamento sistêmico.

No início, podem aparecer efeitos leves, como sensibilidade nas mamas, inchaço ou dor de cabeça, que costumam melhorar com o tempo ou com o ajuste do esquema.

Quem tem falência ovariana precoce pode engravidar?

A fertilidade fica bastante reduzida, mas o diagnóstico não significa que a maternidade seja impossível. É importante saber que:

  • A gravidez espontânea pode acontecer em uma pequena parcela das mulheres com IOP (cerca de 5% a 10%), pela atividade intermitente dos ovários. Por isso, quem não deseja engravidar deve conversar com o médico sobre contracepção, já que a TRH não é anticoncepcional;
  • A ovodoação, fertilização in vitro com óvulos de uma doadora, é o tratamento com maiores chances de gravidez para a maioria das mulheres com IOP estabelecida;
  • A preservação da fertilidade com congelamento de óvulos pode ser considerada antes de tratamentos como quimioterapia, ou quando há risco familiar ou genético e o ovário ainda tem reserva;
  • A gravidez após IOP deve ser acompanhada de perto, com pré-natal cuidadoso.

Cada caso tem suas particularidades, e as chances variam conforme a idade, a causa e a reserva ovariana. A conversa sobre fertilidade deve acontecer o quanto antes, logo após o diagnóstico.

Como é o acompanhamento de quem tem IOP?

  1. Consulta inicial: confirmação do diagnóstico, investigação da causa e conversa sobre planos de gravidez;
  2. Densitometria óssea no diagnóstico, repetida conforme a orientação médica;
  3. Início da TRH com o esquema mais adequado e retorno nos primeiros meses para ajustes;
  4. Reavaliação pelo menos anual: pressão arterial, peso, exames das mamas e exames de sangue conforme o caso;
  5. Hábitos que protegem: atividade física com exercícios de força, cálcio e vitamina D adequados, não fumar e cuidar da saúde emocional.

O impacto emocional do diagnóstico é real, principalmente para quem ainda planejava ter filhos. Apoio psicológico faz parte do cuidado e pode ajudar muito nesse processo.

Saúde hormonal e reprodutiva na Clínica Kleine, em Mogi das Cruzes

Há mais de 35 anos, a Clínica Kleine une ginecologia e reprodução humana no mesmo lugar. Para mulheres com insuficiência ovariana prematura, isso significa poder cuidar da reposição hormonal e, ao mesmo tempo, conversar sobre fertilidade com a mesma equipe, com acolhimento e informação clara.

  • Responsável técnico: Dr. Benedito N. Kleine, ginecologista e obstetra formado e especializado em reprodução humana pela Universidade de São Paulo (USP), CRM-SP 41789, RQE 48800;
  • Investigação da causa e plano de reposição individualizado;
  • Orientação sobre preservação da fertilidade, fertilização in vitro e ovodoação;
  • Consultas com horário marcado no Edifício Helbor Tower, no Centro de Mogi das Cruzes, atendendo também o Alto Tietê.

Saiba mais sobre a área de Ginecologia e Obstetrícia e conheça a clínica.

Perguntas frequentes sobre reposição hormonal na falência ovariana precoce

Falência ovariana precoce e menopausa precoce são a mesma coisa?

São termos usados para a mesma situação: a perda da função dos ovários antes dos 40 anos. Hoje, o nome mais usado pelos especialistas é insuficiência ovariana prematura, porque os ovários ainda podem funcionar de forma intermitente em parte das mulheres.

Preciso fazer reposição hormonal mesmo sem sintomas?

Em geral, sim. Na insuficiência ovariana prematura, a reposição não serve apenas para tratar sintomas: ela protege ossos, coração e saúde cognitiva da falta prolongada de estrogênio. Por isso costuma ser recomendada mesmo para quem não tem calorões, salvo contraindicação.

Até quando devo usar a reposição hormonal?

A recomendação geral é manter a reposição pelo menos até a idade média da menopausa natural, por volta dos 50 anos. Depois disso, a continuidade é avaliada com o ginecologista, como em qualquer mulher na menopausa.

A reposição hormonal em mulher jovem aumenta o risco de câncer de mama?

As diretrizes indicam que a reposição em mulheres com insuficiência ovariana prematura, até a idade da menopausa natural, não aumenta o risco de câncer de mama em comparação com mulheres da mesma idade cujos ovários funcionam normalmente. A mamografia e os exames de rotina devem ser feitos conforme a idade e o histórico.

Posso usar pílula anticoncepcional no lugar da reposição?

Em alguns casos, sim, principalmente quando também se deseja evitar a gravidez. Porém, a terapia hormonal específica tende a ser mais favorável para os ossos e a pressão arterial. A escolha depende de cada caso e deve ser feita com o médico.

Quem tem falência ovariana precoce consegue engravidar?

A gravidez espontânea é possível, mas pouco frequente, em cerca de 5% a 10% dos casos. Para a maioria das mulheres com o diagnóstico estabelecido, a ovodoação é o tratamento com maiores chances. As possibilidades devem ser avaliadas individualmente com um especialista em reprodução humana.

A reposição hormonal funciona como anticoncepcional?

Não. As doses da terapia hormonal não impedem a ovulação. Como a gravidez espontânea pode ocorrer em uma parte das mulheres com insuficiência ovariana prematura, quem não deseja engravidar deve usar um método contraceptivo orientado pelo médico.

A falência ovariana precoce tem cura?

Na maioria dos casos, a perda de função dos ovários não é revertida. Porém, com reposição hormonal adequada e acompanhamento, é possível proteger a saúde, controlar os sintomas e manter uma boa qualidade de vida, além de planejar a maternidade com as técnicas de reprodução assistida quando houver esse desejo.

Clínica Kleine · Ginecologia, Obstetrícia e Reprodução Humana<!–- [et_pb_br_holder] -–>Responsável técnico: Dr. Benedito N. Kleine · CRM-SP 41789 · RQE 48800. Conteúdo atualizado em outubro de 2026.

Referências
  1. ESHRE Guideline Group on POI. Evidence-based guideline: premature ovarian insufficiency (atualização 2024). European Society of Human Reproduction and Embryology.
  2. The Menopause Society. The 2022 hormone therapy position statement of The North American Menopause Society. Menopause. 2022;29(7):767-794.
  3. Associação Brasileira de Climatério (SOBRAC). Consenso Brasileiro de Terapêutica Hormonal da Menopausa.
  4. Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (FEBRASGO). Protocolos sobre insuficiência ovariana prematura e terapia hormonal.

Conteúdo informativo, não substitui consulta médica. As informações desta página têm caráter educacional e não devem ser usadas para autodiagnóstico ou automedicação. Cada caso deve ser avaliado individualmente por um médico, conforme recomendação do Conselho Federal de Medicina.

Recebeu o diagnóstico ou tem suspeita de IOP?

Agende uma consulta na Clínica Kleine para entender seu caso, cuidar da sua saúde hormonal e conversar sobre fertilidade.