Terapia de reposição hormonal na menopausa precoce
Quando a menopausa chega antes dos 45 anos, seja de forma natural, depois de uma cirurgia ou após um tratamento de câncer, o corpo passa mais tempo sem os hormônios dos ovários. Entenda quando a reposição hormonal é indicada, por quanto tempo e quais cuidados ela exige.
A menopausa precoce é a que acontece antes dos 45 anos. Ela pode ser natural, cirúrgica (após a retirada dos dois ovários) ou induzida por quimioterapia ou radioterapia. Quando ocorre antes dos 40 anos, recebe o nome de insuficiência ovariana prematura.
Nessas situações, as sociedades médicas recomendam, para quem não tem contraindicação, a terapia de reposição hormonal pelo menos até a idade média da menopausa natural, por volta dos 50 a 51 anos. O objetivo é aliviar os sintomas e proteger ossos, coração e cérebro. Mulheres que tiveram câncer de mama ou outros tumores dependentes de hormônio precisam de avaliação especial e, em geral, de alternativas sem hormônio.
O que é a menopausa precoce?
A menopausa é a última menstruação, confirmada após 12 meses sem menstruar. No Brasil, ela costuma acontecer por volta dos 48 aos 51 anos. Quando ocorre antes dos 45 anos, os médicos falam em menopausa precoce ou antecipada. Estima-se que isso aconteça com cerca de 5 a 10 em cada 100 mulheres.
Os nomes variam conforme a idade:
| Idade | Como é chamada | O que considerar |
|---|---|---|
| Antes dos 40 anos | Insuficiência ovariana prematura (falência ovariana precoce) | Os ovários podem ainda funcionar de forma intermitente. Investigação da causa e da fertilidade é essencial. |
| Entre 40 e 45 anos | Menopausa precoce ou antecipada | Mais anos sem estrogênio do que o esperado, com impacto nos ossos e no coração. |
| Entre 45 e 55 anos | Menopausa na idade habitual | A reposição é decidida principalmente pelos sintomas. |
Se o seu caso é antes dos 40 anos, veja a página específica sobre reposição hormonal na falência ovariana precoce, que também aborda diagnóstico e fertilidade.
A menopausa precoce pode ser natural, cirúrgica ou induzida
Natural
Os ovários param antes do esperado. Histórico familiar, tabagismo e algumas doenças autoimunes ou genéticas estão entre os fatores associados.
Cirúrgica
Acontece quando os dois ovários são retirados (ooforectomia bilateral), por endometriose, cistos, tumores ou para reduzir o risco de câncer.
Induzida
Causada por quimioterapia, radioterapia na pelve ou medicamentos que bloqueiam a função dos ovários.
A retirada apenas do útero (histerectomia), mantendo os ovários, faz a menstruação parar, mas não causa menopausa imediata. Ainda assim, algumas mulheres podem ter menopausa um pouco mais cedo depois da cirurgia.
Quais sinais podem indicar menopausa precoce?
- Menstruações irregulares, mais espaçadas ou que param antes dos 45 anos;
- Calorões, suores noturnos e dificuldade para dormir;
- Secura vaginal, dor na relação e queda da libido;
- Irritabilidade, ansiedade, alterações de humor e dificuldade de concentração;
- Sintomas intensos e repentinos após cirurgia nos ovários ou tratamento oncológico.
Sintomas assim merecem avaliação ginecológica. Outras condições, como alterações da tireoide, gravidez e aumento da prolactina, podem causar sinais parecidos e precisam ser descartadas.
Por que a reposição hormonal é indicada na menopausa precoce?
Na menopausa na idade habitual, a terapia hormonal é usada sobretudo para tratar sintomas. Na menopausa precoce, ela tem também um papel de proteção da saúde, porque a mulher passaria muitos anos a mais sem estrogênio. Sem reposição, a menopausa antes dos 45 anos está associada a maior risco de:
- Osteoporose e fraturas;
- Doença cardiovascular, como infarto e AVC;
- Declínio cognitivo e alterações de humor;
- Síndrome geniturinária, com secura vaginal e infecções urinárias de repetição.
O que dizem as diretrizes: a The Menopause Society, a ESHRE, a SOBRAC e a FEBRASGO recomendam que mulheres com menopausa precoce, sem contraindicação, façam terapia hormonal pelo menos até a idade média da menopausa natural, mesmo que tenham poucos sintomas.
Em mulheres mais jovens, os riscos observados em estudos com mulheres acima dos 60 anos, como o aumento de trombose e de câncer de mama, não se aplicam da mesma forma. Para a maioria, os benefícios da reposição até cerca dos 50 anos superam os riscos. Para entender os tipos de hormônio e as vias de uso em detalhes, veja também a página sobre terapia de reposição hormonal na menopausa.
Como é a reposição hormonal após a retirada dos ovários?
A menopausa cirúrgica é abrupta: os hormônios caem de um dia para o outro, e os sintomas costumam ser mais intensos do que na menopausa natural. Por isso, quando não há contraindicação, a reposição pode ser iniciada logo após a cirurgia, conforme orientação médica.
- Se o útero também foi retirado: em geral usa-se apenas estrogênio, sem necessidade de progestagênio;
- Se o útero foi mantido: é preciso associar um progestagênio para proteger o endométrio;
- Cirurgia por endometriose: o esquema é escolhido com cuidado, pois o estrogênio isolado pode estimular focos residuais da doença. Muitas vezes se recomenda a terapia combinada;
- Retirada preventiva dos ovários em portadoras de mutação nos genes BRCA1 ou BRCA2, sem câncer de mama: a reposição até a idade da menopausa natural costuma ser considerada segura e recomendada, com acompanhamento especializado.
E a menopausa precoce após tratamento de câncer?
A quimioterapia e a radioterapia podem levar à menopausa precoce, de forma temporária ou definitiva. A possibilidade de reposição hormonal depende do tipo de câncer:
- Câncer de mama e outros tumores dependentes de hormônio: a terapia hormonal sistêmica geralmente é contraindicada. Os sintomas são tratados com medicamentos não hormonais, hidratantes e lubrificantes vaginais e mudanças de hábitos, sempre em conjunto com o oncologista;
- Outros tipos de câncer (como linfomas e leucemias): em muitos casos a reposição é possível e recomendada, após liberação da equipe oncológica.
Para quem vai iniciar um tratamento contra o câncer e ainda deseja ter filhos, vale conversar o quanto antes sobre a preservação da fertilidade com congelamento de óvulos.
Por quanto tempo devo fazer a reposição hormonal?
A recomendação geral é manter a reposição pelo menos até por volta dos 50 a 51 anos, a idade média da menopausa natural. A partir daí, a mulher passa a ser avaliada como qualquer outra na menopausa: a continuidade depende dos sintomas, dos benefícios e dos riscos individuais, revistos com o ginecologista.
As doses na menopausa precoce costumam ser um pouco mais altas do que as usadas na menopausa habitual, para se aproximar do que o corpo ainda deveria produzir. O hormônio pode ser usado em comprimido ou pela pele (gel, adesivo ou spray), e a via é escolhida de acordo com o perfil de cada mulher.
Quais cuidados e exames fazem parte do acompanhamento?
- Avaliação inicial: confirmação da menopausa, histórico pessoal e familiar, pressão arterial e peso;
- Exames: mamografia conforme a idade, exames ginecológicos e laboratoriais conforme o caso, e densitometria óssea;
- Retorno nos primeiros meses para ajustar dose e via;
- Reavaliação pelo menos anual enquanto durar o tratamento;
- Hábitos de proteção: atividade física com exercícios de força, cálcio e vitamina D adequados, não fumar e atenção à saúde emocional.
A TRH não é anticoncepcional. Na menopausa precoce natural, principalmente perto do diagnóstico, os ovários ainda podem ovular de vez em quando. Quem não deseja engravidar deve conversar com o médico sobre contracepção.
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- Responsável técnico: Dr. Benedito N. Kleine, ginecologista e obstetra formado e especializado em reprodução humana pela Universidade de São Paulo (USP), CRM-SP 41789, RQE 48800;
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Perguntas frequentes sobre reposição hormonal na menopausa precoce
Com que idade a menopausa é considerada precoce?
A menopausa é considerada precoce quando acontece antes dos 45 anos. Quando ocorre antes dos 40 anos, recebe o nome de insuficiência ovariana prematura, também conhecida como falência ovariana precoce.
Toda mulher com menopausa precoce precisa de reposição hormonal?
Para quem não tem contraindicação, a reposição é recomendada pelas sociedades médicas pelo menos até a idade média da menopausa natural, mesmo com poucos sintomas, porque protege ossos, coração e cérebro. A decisão final é individual e tomada com o ginecologista.
Tirei os ovários. Quando posso começar a reposição?
Quando não há contraindicação, a reposição pode ser iniciada logo após a cirurgia, conforme a orientação do médico. Como a queda hormonal é abrupta, os sintomas tendem a ser intensos, e começar cedo ajuda a controlá-los e a proteger a saúde.
Quem tirou o útero precisa usar progesterona?
Em geral, não. Sem útero, a reposição pode ser feita só com estrogênio. Uma exceção comum é a mulher que operou por endometriose, em que o médico pode indicar a associação com progestagênio. Se o útero foi mantido, o progestagênio é necessário para proteger o endométrio.
Quem teve câncer de mama pode fazer reposição hormonal?
Em geral, a terapia hormonal sistêmica é contraindicada após câncer de mama. Os sintomas da menopausa podem ser tratados com medicamentos não hormonais, hidratantes e lubrificantes vaginais e mudanças de hábitos, sempre com avaliação conjunta do ginecologista e do oncologista.
Fumar antecipa a menopausa?
Sim. O tabagismo está associado a uma menopausa que chega, em média, um a dois anos mais cedo, além de aumentar riscos cardiovasculares e de osteoporose. Parar de fumar é um dos cuidados mais importantes nessa fase.
A reposição na menopausa precoce aumenta o risco de câncer de mama?
Os estudos indicam que a reposição em mulheres com menopausa precoce, até a idade média da menopausa natural, não aumenta o risco de câncer de mama além do esperado para mulheres da mesma idade. Depois dessa idade, os riscos passam a ser avaliados como na menopausa habitual.
Ainda posso engravidar com menopausa precoce?
Depende da causa e da idade. Antes do diagnóstico definitivo, os ovários ainda podem ovular de vez em quando, e a reposição não é anticoncepcional. Para quem deseja engravidar, as opções devem ser avaliadas com um especialista em reprodução humana, e a ovodoação costuma ser o tratamento com maiores chances quando a função ovariana já acabou.
Clínica Kleine · Ginecologia, Obstetrícia e Reprodução Humana<!–- [et_pb_br_holder] -–>Responsável técnico: Dr. Benedito N. Kleine · CRM-SP 41789 · RQE 48800. Conteúdo atualizado em outubro de 2026.
- The Menopause Society. The 2022 hormone therapy position statement of The North American Menopause Society. Menopause. 2022;29(7):767-794.
- ESHRE Guideline Group on POI. Evidence-based guideline: premature ovarian insufficiency (atualização 2024). European Society of Human Reproduction and Embryology.
- Associação Brasileira de Climatério (SOBRAC). Consenso Brasileiro de Terapêutica Hormonal da Menopausa.
- Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (FEBRASGO). Protocolos sobre climatério e terapia hormonal.
Conteúdo informativo, não substitui consulta médica. As informações desta página têm caráter educacional e não devem ser usadas para autodiagnóstico ou automedicação. Cada caso deve ser avaliado individualmente por um médico, conforme recomendação do Conselho Federal de Medicina.
A menopausa chegou antes da hora?
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