Ginecologia · Procedimentos

Curetagem uterina

A curetagem é um procedimento para retirar o conteúdo ou parte da camada interna do útero. Muitas vezes ela acontece depois de uma perda gestacional, um momento delicado em que informação clara e acolhimento fazem diferença. Entenda quando ela é indicada, as alternativas e como é a recuperação.

Atualizado em outubro de 2026 · Leitura de aproximadamente 7 minutos

Resposta rápida

A curetagem uterina é um procedimento feito pela vagina, sob anestesia, em que o colo do útero é dilatado e o conteúdo da cavidade é retirado com um instrumento chamado cureta ou por aspiração. É indicada principalmente para esvaziar o útero após aborto espontâneo incompleto ou retido, retirar restos após o parto, tratar a gestação molar e, em alguns casos, para diagnóstico de alterações do endométrio.

Hoje existem alternativas em muitos casos, como a aspiração manual intrauterina (AMIU), os medicamentos e a histeroscopia. O procedimento dura cerca de 15 a 30 minutos, a alta costuma ser no mesmo dia, e a recuperação física leva poucos dias.

O que é a curetagem uterina?

A curetagem uterina, também chamada de dilatação e curetagem, é um procedimento em que o médico dilata delicadamente o colo do útero e retira o conteúdo da cavidade uterina ou uma amostra do endométrio, a camada que reveste o útero por dentro. Não há cortes na barriga.

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Esvaziamento uterino

Retirada de restos de gestação após aborto espontâneo, gestação interrompida ou parto.

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Curetagem diagnóstica

Também chamada de semiótica: coleta de material do endométrio para análise em laboratório.

Todo material retirado é enviado para exame anatomopatológico, que confirma o diagnóstico e pode identificar condições que exigem acompanhamento, como a gestação molar.

Quando a curetagem uterina é indicada?

  • Aborto espontâneo incompleto, quando parte do conteúdo da gestação permanece no útero;
  • Aborto retido, quando a gestação deixa de evoluir mas não é eliminada espontaneamente;
  • Restos placentários após o parto, que podem causar sangramento e infecção;
  • Gestação molar (mola hidatiforme), uma alteração rara da placenta que exige esvaziamento e acompanhamento com exames de sangue;
  • Sangramento uterino intenso que precisa ser controlado com urgência, em situações específicas;
  • Diagnóstico de alterações do endométrio, como espessamento ou sangramento após a menopausa, quando a histeroscopia não está disponível ou não é possível.

Procure atendimento de urgência se, durante a gestação ou após uma perda, tiver sangramento muito intenso, febre, dor forte, tontura ou desmaio, ou corrimento com mau cheiro.

Quais são as alternativas à curetagem?

A escolha do método depende da situação clínica, do tempo de gestação, da saúde da paciente e da sua preferência. Em muitos casos, existem opções:

OpçãoComo éQuando costuma ser usada
Conduta expectanteAguardar a eliminação natural, com acompanhamentoAlguns casos de aborto espontâneo no início da gestação, sem sinais de infecção ou sangramento intenso
MedicamentosRemédios que ajudam o útero a eliminar o conteúdoAborto retido ou incompleto no primeiro trimestre, conforme avaliação médica
AMIU (aspiração manual intrauterina)Esvaziamento por aspiração com uma cânula fina e flexívelRecomendada pela Organização Mundial da Saúde como método preferencial no primeiro trimestre, por ser mais segura que a curetagem com cureta
HisteroscopiaRetirada sob visão direta, com câmeraRestos persistentes ou localizados, com menor risco de aderências
CuretagemRetirada do conteúdo com curetaSituações em que as outras opções não são adequadas ou disponíveis

Para o diagnóstico de alterações do endométrio, a histeroscopia permite ver o interior do útero e colher biópsia dirigida, e por isso substituiu a curetagem diagnóstica em muitas situações.

Como é o preparo para a curetagem?

  • Avaliação médica com ultrassom e exames de sangue, incluindo tipo sanguíneo e fator Rh;
  • Jejum por causa da anestesia, conforme orientação recebida;
  • Informe medicamentos em uso, alergias e doenças;
  • Acompanhante obrigatório para a alta;
  • Em alguns casos, o médico pode prescrever um medicamento antes do procedimento para amolecer o colo do útero.

Como a curetagem uterina é feita?

O procedimento é realizado em hospital, sob anestesia (sedação ou raquianestesia, conforme o caso). Com a paciente em posição ginecológica, o médico dilata o colo do útero e retira o conteúdo da cavidade com a cureta ou por aspiração. O procedimento dura em média de 15 a 30 minutos. Depois, a paciente fica em observação até se recuperar da anestesia e, na maioria dos casos, recebe alta no mesmo dia.

Mulheres com fator Rh negativo podem precisar receber a imunoglobulina anti-D após o esvaziamento uterino, para proteger futuras gestações. Isso é avaliado pela equipe.

Como é a recuperação depois da curetagem?

  • Cólicas leves nos primeiros dias, que melhoram com analgésicos;
  • Sangramento semelhante a uma menstruação, que diminui ao longo de alguns dias e pode durar até cerca de duas semanas;
  • Retorno às atividades leves em um a dois dias, conforme a orientação;
  • Evitar relações sexuais, absorvente interno e banho de banheira ou piscina pelo período orientado, geralmente cerca de duas semanas;
  • A menstruação costuma voltar entre 4 e 6 semanas;
  • Consulta de retorno para avaliar a recuperação e receber o resultado do anatomopatológico.

Lembre-se de que, após uma perda gestacional, a ovulação pode voltar antes da primeira menstruação. Se não deseja engravidar, converse com o médico sobre contracepção.

Quais são os riscos da curetagem?

A curetagem é um procedimento comum e, em geral, seguro. As complicações são pouco frequentes e incluem:

  • Sangramento aumentado;
  • Infecção do útero;
  • Restos persistentes, que podem exigir novo tratamento;
  • Perfuração do útero, rara;
  • Aderências dentro do útero (sinéquias ou síndrome de Asherman), que podem diminuir a menstruação e dificultar uma nova gravidez. O risco é maior com curetagens repetidas, e por isso métodos como a aspiração e a histeroscopia são preferidos quando possível.

Se, depois da curetagem, a menstruação ficar muito escassa ou não voltar, procure avaliação. A histeroscopia permite diagnosticar e tratar as aderências.

Quando posso tentar engravidar de novo? E o lado emocional?

Após uma perda gestacional no início da gravidez, geralmente não é necessário esperar muitos meses para tentar de novo, do ponto de vista físico. Muitos médicos orientam aguardar a primeira menstruação, o que também ajuda a calcular a idade da próxima gestação. Em situações específicas, como a gestação molar, o tempo de espera é maior e definido pelo acompanhamento.

Tão importante quanto o corpo é o tempo emocional. Tristeza, culpa e medo são reações comuns após uma perda, e o apoio do parceiro, da família e, se necessário, de um psicólogo faz parte do cuidado. A maioria dos abortos espontâneos acontece por alterações cromossômicas do embrião, e não por algo que a mulher fez ou deixou de fazer.

Quando há duas ou mais perdas, vale fazer uma investigação mais detalhada. Conheça a investigação da infertilidade e os tratamentos para engravidar.

Cuidado e acolhimento na Clínica Kleine, em Mogi das Cruzes

Há mais de 35 anos, a Clínica Kleine acompanha mulheres e casais no desejo de ter filhos, inclusive nos momentos difíceis. Após uma perda, nosso cuidado envolve explicar cada passo com clareza, indicar o tratamento mais adequado e planejar, com calma, o caminho para uma nova gestação.

  • Responsável técnico: Dr. Benedito N. Kleine, ginecologista e obstetra formado e especializado em reprodução humana pela Universidade de São Paulo (USP), CRM-SP 41789, RQE 48800;
  • Avaliação e indicação do método mais adequado para cada situação;
  • Acompanhamento após o procedimento e investigação em casos de perdas de repetição;
  • Consultas com horário marcado no Edifício Helbor Tower, no Centro de Mogi das Cruzes, atendendo também o Alto Tietê.

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Perguntas frequentes sobre curetagem uterina

Curetagem dói?

O procedimento é feito sob anestesia, então a paciente não sente dor durante a curetagem. Depois, é comum ter cólicas leves por alguns dias, que melhoram com analgésicos.

Quanto tempo dura a curetagem?

O procedimento dura em média de 15 a 30 minutos. Somando o preparo e a recuperação da anestesia, a paciente costuma ficar algumas horas no hospital e, na maioria dos casos, recebe alta no mesmo dia.

Quanto tempo sangra depois da curetagem?

O sangramento costuma ser parecido com uma menstruação e vai diminuindo ao longo de alguns dias, podendo durar até cerca de duas semanas. Sangramento muito intenso, febre ou mau cheiro devem ser avaliados imediatamente.

Quando a menstruação volta depois da curetagem?

Em geral, entre 4 e 6 semanas após o procedimento. Se a menstruação não voltar ou vier muito escassa por vários ciclos, procure avaliação, pois pode haver aderências dentro do útero.

Depois da curetagem, quando posso engravidar?

Do ponto de vista físico, após uma perda no início da gravidez, geralmente não é necessário esperar muitos meses. Muitos médicos orientam aguardar a primeira menstruação. Em casos como a gestação molar, o tempo de espera é maior. O momento emocional do casal também deve ser respeitado.

Toda perda gestacional precisa de curetagem?

Não. Em muitos casos de aborto espontâneo no início da gestação, é possível aguardar a eliminação natural ou usar medicamentos. Quando o esvaziamento é necessário, a aspiração manual intrauterina (AMIU) costuma ser preferida à curetagem com cureta. A escolha depende de cada situação.

Qual a diferença entre curetagem e AMIU?

As duas esvaziam o útero. Na curetagem, o conteúdo é retirado com uma cureta metálica. Na AMIU, a retirada é feita por aspiração com uma cânula fina e flexível, com menor risco de complicações e aderências, e por isso é recomendada pela Organização Mundial da Saúde no primeiro trimestre.

Curetagem pode causar infertilidade?

Na grande maioria dos casos, não. Raramente, especialmente após curetagens repetidas ou com infecção, podem se formar aderências dentro do útero (síndrome de Asherman), que dificultam uma nova gravidez. Essa condição pode ser diagnosticada e tratada por histeroscopia.

Dr. Benedito N. Kleine, ginecologista e obstetra

Clínica Kleine · Ginecologia, Obstetrícia e Reprodução Humana<!–- [et_pb_br_holder] -–>Responsável técnico: Dr. Benedito N. Kleine · CRM-SP 41789 · RQE 48800. Conteúdo atualizado em outubro de 2026.

Referências
  1. Organização Mundial da Saúde. Abortion care guideline, 2022.
  2. American College of Obstetricians and Gynecologists (ACOG). Early Pregnancy Loss. Practice Bulletin nº 200. Obstet Gynecol. 2018;132(5):e197-e207.
  3. Ministério da Saúde. Atenção Humanizada ao Abortamento: norma técnica.
  4. Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (FEBRASGO). Protocolos sobre abortamento espontâneo e doença trofoblástica gestacional.

Conteúdo informativo, não substitui consulta médica. As informações desta página têm caráter educacional e não devem ser usadas para autodiagnóstico ou automedicação. Cada caso deve ser avaliado individualmente por um médico, conforme recomendação do Conselho Federal de Medicina.

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