Ginecologia cirúrgica

Cirurgia para prolapso uterino (útero caído)

Sentir uma "bola" na vagina, um peso no pé da barriga ou dificuldade para urinar e evacuar pode ser sinal de prolapso. Muitas mulheres convivem com isso em silêncio por vergonha, mas o problema é comum e tem tratamento. Entenda as opções, com e sem cirurgia.

Atualizado em outubro de 2026 · Leitura de aproximadamente 8 minutos

Resposta rápida

O prolapso uterino, conhecido como útero caído, acontece quando os músculos e ligamentos que sustentam o útero enfraquecem e ele desce pela vagina. Muitas vezes vem junto com a descida da bexiga (cistocele) ou do reto (retocele). Os principais fatores de risco são partos vaginais, envelhecimento, menopausa, obesidade, prisão de ventre e esforço físico repetido.

Prolapsos leves e sem sintomas podem ser apenas acompanhados ou tratados com fisioterapia pélvica e pessário vaginal. A cirurgia é indicada quando os sintomas incomodam e a mulher prefere uma solução mais duradoura. Ela pode ser feita pela vagina, sem cortes na barriga, ou por laparoscopia, retirando ou preservando o útero, conforme cada caso.

O que é o prolapso uterino?

O útero, a bexiga e o reto são sustentados por um conjunto de músculos, ligamentos e tecidos chamado assoalho pélvico. Quando essas estruturas enfraquecem ou se rompem, os órgãos podem descer e fazer volume na vagina. Esse quadro é chamado de prolapso de órgãos pélvicos ou prolapso genital.

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Prolapso uterino

Descida do útero e do colo do útero pela vagina. É o "útero caído".

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Cistocele

Descida da bexiga pela parede da frente da vagina, conhecida como "bexiga caída".

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Retocele

Abaulamento do reto pela parede de trás da vagina, que dificulta a evacuação.

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Prolapso de cúpula

Descida do fundo da vagina em mulheres que já retiraram o útero.

É comum que mais de um tipo aconteça ao mesmo tempo, e por isso a avaliação deve considerar todo o assoalho pélvico, e não apenas o útero.

Quais são as causas do útero caído?

  • Partos vaginais, especialmente vários partos, bebês grandes ou partos difíceis;
  • Envelhecimento e menopausa, pela perda de força dos tecidos e queda do estrogênio;
  • Sobrepeso e obesidade, que aumentam a pressão dentro do abdome;
  • Prisão de ventre crônica e esforço para evacuar;
  • Tosse crônica, como em fumantes e pessoas com doenças pulmonares;
  • Carregar peso com frequência, no trabalho ou em atividades físicas sem orientação;
  • Fatores genéticos e doenças do tecido conjuntivo;
  • Cirurgias pélvicas anteriores, como a histerectomia.

Quais são os sintomas do prolapso uterino?

  • Sensação de "bola" ou volume na vagina, que pode ser vista ou sentida ao toque;
  • Peso ou pressão no pé da barriga, que piora no fim do dia ou depois de ficar muito tempo em pé;
  • Dificuldade para urinar, jato fraco, sensação de não esvaziar a bexiga ou infecções urinárias de repetição;
  • Perda de urina ao tossir, espirrar ou fazer esforço;
  • Dificuldade para evacuar, às vezes sendo necessário apoiar a parede da vagina com os dedos;
  • Desconforto na relação sexual e mudanças na autoestima;
  • Sangramento ou corrimento, quando o colo exposto fica irritado ou machucado.

Quando a perda de urina é o sintoma principal, ela também pode ser tratada. A avaliação ginecológica identifica o que está causando cada queixa.

Quais são os graus do prolapso?

O prolapso é classificado em estágios, de acordo com o quanto o órgão desce. Os médicos costumam usar o sistema POP-Q, feito durante o exame ginecológico, com a paciente fazendo força.

EstágioO que significa
Estágio 0Sem prolapso.
Estágio IDescida leve, ainda bem dentro da vagina. Geralmente sem sintomas.
Estágio IIO órgão chega perto da entrada da vagina. Pode começar a dar sensação de peso ou volume.
Estágio IIIO órgão ultrapassa a entrada da vagina.
Estágio IVExteriorização completa (procidência).

O estágio ajuda a planejar o tratamento, mas a decisão depende principalmente de quanto os sintomas incomodam.

Existem tratamentos para útero caído sem cirurgia?

Sim. Para muitas mulheres, especialmente nos prolapsos leves ou moderados, o tratamento conservador é uma ótima opção:

  • Fisioterapia do assoalho pélvico: exercícios orientados por fisioterapeuta especializado fortalecem a musculatura, melhoram os sintomas e podem evitar a progressão nos casos leves;
  • Pessário vaginal: um dispositivo de silicone colocado dentro da vagina que sustenta os órgãos. É eficaz, pode ser usado por longos períodos e é uma boa alternativa para quem não quer ou não pode operar. Exige consultas periódicas para limpeza e avaliação;
  • Estrogênio vaginal em dose baixa: melhora a qualidade da mucosa após a menopausa, principalmente em quem usa pessário. Saiba mais sobre a terapia hormonal na menopausa;
  • Mudanças de hábitos: perder peso, tratar a prisão de ventre e a tosse crônica e evitar carregar peso.

Prolapsos sem sintomas geralmente não precisam de tratamento, apenas de acompanhamento.

Quando a cirurgia de prolapso é indicada?

  • Quando os sintomas incomodam e afetam a qualidade de vida;
  • Quando o tratamento conservador não funcionou ou a mulher não se adaptou ao pessário;
  • Quando há dificuldade importante para urinar ou evacuar, infecções urinárias de repetição ou feridas no colo exposto;
  • Quando a mulher prefere uma solução cirúrgica, depois de conhecer todas as opções.

O ideal é que a cirurgia seja feita depois que a mulher não deseja mais engravidar, já que uma nova gestação e o parto podem comprometer a correção.

Quais são os tipos de cirurgia para prolapso uterino?

A técnica é escolhida conforme o tipo e o grau do prolapso, a idade, a saúde geral, a vida sexual e a preferência da paciente. As principais opções são:

Cirurgia pela vagina com os próprios tecidos

Feita sem cortes na barriga. Pode incluir a histerectomia vaginal (retirada do útero pela vagina) com a fixação do fundo da vagina em ligamentos firmes da pelve, além da correção da bexiga caída (colporrafia anterior) e do reto (colporrafia posterior e perineoplastia). É a abordagem mais utilizada.

Cirurgias que preservam o útero

Para mulheres que desejam manter o útero, é possível reposicioná-lo e fixá-lo (histeropexia), pela vagina ou por laparoscopia, em casos selecionados.

Sacrocolpopexia por laparoscopia ou abdominal

Usa uma tela para fixar o fundo da vagina (ou o útero) a um ligamento firme da coluna sacral. Tem bons resultados a longo prazo e costuma ser indicada em prolapsos que voltaram ou no prolapso de cúpula após histerectomia.

Colpocleise

Cirurgia que fecha parcialmente a vagina. É rápida, tem alta taxa de sucesso e pouca agressão, e é indicada para mulheres mais idosas, com mais riscos cirúrgicos e que não terão mais relações sexuais com penetração.

E as telas vaginais? O uso de telas sintéticas colocadas pela vagina para corrigir prolapso foi restrito em vários países por causa de complicações, como exposição da tela e dor. Hoje, a maioria das correções é feita com os próprios tecidos, e as telas ficam reservadas para indicações específicas, principalmente pela via abdominal ou laparoscópica.

Se houver perda de urina aos esforços, ou risco de ela aparecer depois da correção, o médico pode discutir uma cirurgia para incontinência no mesmo procedimento.

Como é a recuperação da cirurgia de prolapso?

  • Internação: geralmente curta, de um a poucos dias, conforme a técnica;
  • Sonda urinária: pode ser necessária por pouco tempo após a cirurgia;
  • Esforço físico: evitar carregar peso e exercícios intensos por cerca de 6 semanas, ou pelo prazo orientado;
  • Relação sexual: em geral liberada após cerca de 6 semanas, depois da avaliação de retorno;
  • Intestino: evitar prisão de ventre e esforço para evacuar, com alimentação rica em fibras e boa hidratação;
  • Fisioterapia pélvica: pode ser indicada após a recuperação para ajudar a manter o resultado.

Como em toda cirurgia, existem riscos, como sangramento, infecção, dificuldade transitória para urinar, dor na relação e lesão de órgãos vizinhos. O prolapso também pode voltar com o tempo, no mesmo local ou em outra parede da vagina. Manter o peso adequado, tratar a prisão de ventre e evitar esforços excessivos ajudam a preservar o resultado.

Avaliação do prolapso na Clínica Kleine, em Mogi das Cruzes

Há mais de 35 anos, a Clínica Kleine atua em ginecologia clínica e cirúrgica. Sabemos que falar sobre "útero caído", perda de urina ou desconforto íntimo nem sempre é fácil. Por isso o atendimento é discreto e acolhedor, e o tratamento é escolhido com você, das opções conservadoras à cirurgia.

  • Responsável técnico: Dr. Benedito N. Kleine, ginecologista e obstetra formado e especializado pela Universidade de São Paulo (USP), CRM-SP 41789, RQE 48800;
  • Exame ginecológico completo, com avaliação do grau do prolapso e dos sintomas urinários e intestinais;
  • Orientação sobre fisioterapia pélvica, pessário e cirurgias ginecológicas, incluindo a histerectomia vaginal;
  • Consultas com horário marcado no Edifício Helbor Tower, no Centro de Mogi das Cruzes, atendendo também o Alto Tietê.

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Perguntas frequentes sobre prolapso uterino

Como saber se estou com o útero caído?

Os sinais mais comuns são a sensação de uma bola ou volume na vagina, peso no pé da barriga que piora no fim do dia, dificuldade para urinar ou evacuar e perda de urina aos esforços. O diagnóstico é confirmado pelo ginecologista no exame físico.

Útero caído volta ao lugar sozinho?

O prolapso não costuma voltar ao lugar sozinho, mas nos casos leves a fisioterapia pélvica e as mudanças de hábitos podem melhorar os sintomas e evitar a piora. O pessário vaginal também sustenta os órgãos sem cirurgia.

Todo prolapso precisa de cirurgia?

Não. Prolapsos sem sintomas geralmente são apenas acompanhados. Quando há sintomas, as opções incluem fisioterapia pélvica, pessário vaginal e cirurgia. A escolha depende do grau, dos sintomas e da preferência da mulher.

A cirurgia de prolapso precisa tirar o útero?

Nem sempre. A histerectomia vaginal é uma das técnicas mais usadas, mas existem cirurgias que reposicionam e fixam o útero, preservando-o, em casos selecionados. A técnica é definida conforme cada caso.

Quanto tempo dura a recuperação da cirurgia de útero caído?

A internação costuma ser curta. Atividades leves podem ser retomadas em poucas semanas, mas carregar peso, fazer exercícios intensos e ter relações sexuais geralmente devem esperar cerca de 6 semanas, conforme a orientação médica.

O prolapso pode voltar depois da cirurgia?

Sim, o prolapso pode voltar com o tempo, no mesmo local ou em outra parte da vagina. Controlar o peso, tratar a prisão de ventre e a tosse crônica, evitar carregar peso e fazer fisioterapia pélvica ajudam a manter o resultado.

O que é pessário vaginal?

É um dispositivo de silicone, em diferentes formatos e tamanhos, colocado dentro da vagina para sustentar o útero, a bexiga e o reto. É uma alternativa à cirurgia, eficaz para muitas mulheres, e exige consultas periódicas para limpeza e avaliação da mucosa vaginal.

Como prevenir o prolapso uterino?

Fortalecer o assoalho pélvico, manter o peso adequado, tratar a prisão de ventre e a tosse crônica, não fumar e evitar carregar peso de forma inadequada ajudam a reduzir o risco. Após o parto, a avaliação e a fisioterapia pélvica também podem ser úteis.

Dr. Benedito N. Kleine, ginecologista e obstetra

Clínica Kleine · Ginecologia, Obstetrícia e Reprodução Humana<!–- [et_pb_br_holder] -–>Responsável técnico: Dr. Benedito N. Kleine · CRM-SP 41789 · RQE 48800. Conteúdo atualizado em outubro de 2026.

Referências
  1. American College of Obstetricians and Gynecologists (ACOG); American Urogynecologic Society. Pelvic Organ Prolapse. Practice Bulletin nº 214. Obstet Gynecol. 2019;134(5):e126-e142.
  2. National Institute for Health and Care Excellence (NICE). Urinary incontinence and pelvic organ prolapse in women: management. Guideline NG123, 2019.
  3. U.S. Food and Drug Administration. Urogynecologic Surgical Mesh Implants, 2019.
  4. Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (FEBRASGO). Protocolos sobre prolapso genital.

Conteúdo informativo, não substitui consulta médica. As informações desta página têm caráter educacional e não devem ser usadas para autodiagnóstico ou automedicação. Cada caso deve ser avaliado individualmente por um médico, conforme recomendação do Conselho Federal de Medicina.

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