Cirurgia de cistos ovarianos
Descobrir um cisto no ovário em um ultrassom costuma gerar preocupação, mas a maioria deles é benigna e muitos desaparecem sozinhos. Entenda quais cistos precisam de cirurgia, como ela é feita, como fica a fertilidade e como é a recuperação.
A maioria dos cistos no ovário é funcional, ligada à ovulação, e desaparece sozinha em algumas semanas ou poucos meses, sem cirurgia. A cirurgia é indicada quando o cisto persiste ou cresce, causa dor ou sintomas, tem características suspeitas no ultrassom, é de um tipo que não regride (como o cisto dermoide e alguns endometriomas) ou em emergências, como a torção do ovário.
Sempre que possível, a cirurgia é feita por videolaparoscopia, com pequenas incisões, retirando apenas o cisto e preservando o ovário (cistectomia), o que é especialmente importante para quem deseja engravidar. Em alguns casos, é necessário retirar o ovário.
Quais são os tipos de cisto no ovário?
Cisto é uma bolsa com conteúdo líquido ou semissólido. No ovário, existem vários tipos, com comportamentos diferentes:
| Tipo | O que é | Costuma precisar de cirurgia? |
|---|---|---|
| Funcional (folicular ou de corpo lúteo) | Formado durante a ovulação. É o tipo mais comum na idade reprodutiva | Geralmente não. Costuma desaparecer em semanas ou poucos meses |
| Hemorrágico | Cisto funcional com sangramento interno, às vezes doloroso | Geralmente não, salvo sangramento importante para o abdome |
| Endometrioma | Cisto de endometriose, com conteúdo escuro, conhecido como "cisto de chocolate" | Depende do tamanho, da dor e dos planos de gravidez |
| Teratoma maduro (cisto dermoide) | Tumor benigno que pode conter gordura, pelos e outros tecidos | Frequentemente sim, pois não regride e pode causar torção |
| Cistoadenomas (seroso ou mucinoso) | Tumores benignos que podem crescer bastante | Geralmente sim, quando persistem ou crescem |
| Cistos suspeitos | Com partes sólidas, vegetações ou fluxo sanguíneo aumentado | Sim, com avaliação cuidadosa e planejamento específico |
Vale lembrar que os ovários "policísticos" da síndrome dos ovários policísticos não são cistos de verdade, e sim vários pequenos folículos, e não precisam de cirurgia para serem retirados. Saiba mais sobre os tratamentos de ovários policísticos.
Quais sintomas um cisto no ovário pode causar?
Muitos cistos não causam nenhum sintoma e são descobertos por acaso no ultrassom. Quando presentes, os sintomas podem incluir:
- Dor ou sensação de peso no pé da barriga, de um lado;
- Dor durante a relação sexual;
- Inchaço ou aumento do volume abdominal;
- Vontade frequente de urinar ou intestino preso, quando o cisto é grande;
- Alterações menstruais em alguns casos;
- Cólicas intensas e dor pélvica crônica, no caso dos endometriomas.
Procure atendimento de urgência se tiver dor súbita e muito forte no pé da barriga, principalmente com náuseas, vômitos, febre, tontura ou desmaio. Esses sinais podem indicar torção do ovário ou ruptura do cisto com sangramento.
Como o cisto no ovário é avaliado?
O principal exame é o ultrassom transvaginal, que mostra o tamanho, o conteúdo, as paredes e o fluxo sanguíneo do cisto. Hoje existem sistemas padronizados de classificação, como o O-RADS e as regras da IOTA, que ajudam a estimar o risco de cada cisto e a decidir entre acompanhar ou operar.
- Ultrassom de controle em algumas semanas, para ver se o cisto funcional desapareceu;
- Ressonância magnética quando o ultrassom não é conclusivo;
- Exames de sangue, como o CA-125 e outros marcadores, em situações específicas. O CA-125 sozinho não diagnostica câncer, pois pode estar alto em condições benignas, como endometriose e menstruação;
- Teste de gravidez, quando há possibilidade, para descartar gravidez ectópica.
A idade também conta: depois da menopausa, como não há mais ovulação, cistos novos merecem atenção maior, embora muitos cistos simples continuem sendo benignos.
Quando o cisto no ovário precisa de cirurgia?
A decisão é individual, mas a cirurgia costuma ser indicada quando:
- O cisto persiste ou cresce em ultrassons de controle;
- Há características suspeitas, como partes sólidas, vegetações, fluxo aumentado ou líquido livre no abdome;
- O cisto é grande ou causa dor e sintomas de compressão;
- É um cisto dermoide ou cistoadenoma, que não regridem sozinhos;
- É um endometrioma que causa dor importante, cresce ou impede a avaliação adequada do ovário;
- Há torção ou ruptura com sangramento, situações de urgência.
Cistos simples, com paredes finas e só líquido, muitas vezes podem ser apenas acompanhados, mesmo quando têm alguns centímetros. A pílula anticoncepcional não faz desaparecer um cisto que já existe, mas pode ser usada para evitar a formação de novos cistos funcionais em algumas mulheres.
Quais são os tipos de cirurgia para cisto no ovário?
Cistectomia: retirada apenas do cisto
O cisto é separado e retirado, e o tecido saudável do ovário é preservado. É a técnica preferida em mulheres jovens e em quem deseja engravidar, pois mantém a produção de hormônios e de óvulos.
Ooforectomia ou anexectomia: retirada do ovário
Retira-se o ovário, às vezes junto com a trompa (anexectomia). Pode ser indicada quando o cisto ocupa todo o ovário, quando há suspeita de malignidade, após a menopausa ou quando a mulher já não deseja preservar o ovário. Com um ovário saudável restante, a produção de hormônios continua. A retirada dos dois ovários antes da menopausa causa menopausa imediata; saiba mais sobre a menopausa cirúrgica e a reposição hormonal.
Vias de acesso
Videolaparoscopia
Pequenas incisões e câmera. É a via preferida para cistos benignos, com menos dor e recuperação mais rápida. O cisto é retirado dentro de uma bolsa protetora.
Cirurgia abdominal
Incisão no abdome. Indicada para cistos muito grandes, casos complexos ou com suspeita de malignidade.
Via vaginal
Pode ser usada em casos selecionados, de acordo com a localização e o tipo de cisto.
Quando há suspeita de câncer de ovário, o planejamento é diferente e pode envolver um cirurgião especialista em oncologia ginecológica. Por isso a avaliação antes da cirurgia é tão importante.
O que são a torção ovariana e a ruptura do cisto?
A torção ovariana acontece quando o ovário, geralmente aumentado por um cisto, gira em torno dos seus ligamentos e interrompe a própria circulação. Causa dor súbita e intensa, muitas vezes com náuseas e vômitos. É uma emergência cirúrgica: quanto mais rápido o atendimento, maior a chance de desfazer a torção e preservar o ovário.
A ruptura do cisto pode causar dor repentina. Muitas vezes melhora com repouso e analgésicos, mas quando há sangramento importante para dentro do abdome, a cirurgia pode ser necessária.
A cirurgia de cisto no ovário afeta a fertilidade?
A cirurgia pode retirar junto um pouco do tecido saudável do ovário e reduzir a reserva ovariana, que é a quantidade de óvulos disponíveis. Esse efeito é maior em endometriomas, em cistos nos dois ovários e em cirurgias repetidas. Por isso, para quem deseja engravidar:
- A técnica deve ser a mais conservadora possível, preservando o máximo de tecido ovariano;
- Pode ser útil avaliar a reserva ovariana antes da cirurgia, por exemplo com a dosagem do hormônio antimülleriano (AMH);
- Em endometriomas, a decisão entre operar ou partir direto para tratamentos de fertilidade deve ser individualizada;
- Em alguns casos, pode ser discutida a preservação da fertilidade com congelamento de óvulos antes da cirurgia.
Se você tem um cisto e dificuldade para engravidar, conheça a investigação da infertilidade e os tratamentos para engravidar.
Como é a recuperação e quais são os riscos?
Na videolaparoscopia, a internação costuma ser curta, e o retorno às atividades leves acontece em cerca de uma a duas semanas. Na cirurgia abdominal, a recuperação leva em torno de quatro a seis semanas. Algumas mulheres sentem dor nos ombros nos primeiros dias após a laparoscopia, causada pelo gás usado na cirurgia, que melhora espontaneamente.
O resultado do exame anatomopatológico do cisto, que confirma o diagnóstico, costuma sair algumas semanas depois e é discutido na consulta de retorno.
Os riscos incluem sangramento, infecção, lesão de órgãos vizinhos, aderências, necessidade de converter a laparoscopia para cirurgia aberta e, em alguns tipos de cisto, o reaparecimento. Eles são discutidos individualmente antes do procedimento.
Cirurgia de cistos ovarianos na Clínica Kleine, em Mogi das Cruzes
Há mais de 35 anos, a Clínica Kleine atua em ginecologia clínica e cirúrgica e em reprodução humana. No tratamento dos cistos ovarianos, nosso cuidado começa por evitar cirurgias desnecessárias e, quando a cirurgia é indicada, por preservar ao máximo o ovário e a fertilidade.
- Responsável técnico: Dr. Benedito N. Kleine, ginecologista e obstetra formado e especializado em reprodução humana pela Universidade de São Paulo (USP), CRM-SP 41789, RQE 48800;
- Tratamento cirúrgico de cistos ovarianos simples ou complexos por via abdominal, vaginal ou laparoscópica;
- Orientação sobre fertilidade antes e depois da cirurgia;
- Consultas com horário marcado no Edifício Helbor Tower, no Centro de Mogi das Cruzes, atendendo também o Alto Tietê.
Saiba mais sobre a área de Ginecologia e Obstetrícia e conheça a clínica.
Perguntas frequentes sobre cirurgia de cisto no ovário
Todo cisto no ovário precisa ser operado?
Não. A maioria dos cistos é funcional, ligada à ovulação, e desaparece sozinha em algumas semanas ou poucos meses. A cirurgia é indicada quando o cisto persiste, cresce, causa sintomas, tem características suspeitas ou é de um tipo que não regride, como o cisto dermoide.
Qual tamanho de cisto no ovário precisa de cirurgia?
Não existe um tamanho único. A decisão depende mais do tipo e das características do cisto no ultrassom do que apenas do tamanho. Cistos simples de alguns centímetros podem ser acompanhados, enquanto cistos menores com partes sólidas podem precisar de cirurgia. Cistos grandes também aumentam o risco de torção.
Cisto no ovário pode virar câncer?
A grande maioria dos cistos é benigna, principalmente antes da menopausa. Cistos simples raramente são malignos. Cistos com partes sólidas, vegetações ou fluxo sanguíneo aumentado precisam de investigação mais cuidadosa, especialmente após a menopausa.
A cirurgia de cisto tira o ovário?
Nem sempre. Em mulheres jovens e em quem deseja engravidar, a preferência é a cistectomia, que retira apenas o cisto e preserva o ovário. A retirada do ovário pode ser indicada quando o cisto ocupa todo o ovário, quando há suspeita de malignidade ou após a menopausa.
Posso engravidar depois da cirurgia de cisto no ovário?
Sim, na maioria dos casos. A cirurgia pode reduzir a reserva de óvulos, principalmente em endometriomas, cistos nos dois ovários e cirurgias repetidas. Por isso, quem deseja engravidar deve conversar com o médico antes da cirurgia sobre a técnica e, em alguns casos, sobre a preservação da fertilidade.
Anticoncepcional faz o cisto no ovário sumir?
A pílula não acelera o desaparecimento de um cisto que já existe. Os cistos funcionais costumam desaparecer sozinhos. O anticoncepcional pode ser usado para evitar a formação de novos cistos funcionais em algumas mulheres, conforme orientação médica.
Quanto tempo dura a recuperação da laparoscopia para cisto?
Em geral, a internação é curta, e o retorno às atividades leves acontece em cerca de uma a duas semanas. Exercícios intensos e carregar peso devem esperar a liberação médica. Na cirurgia abdominal, a recuperação leva cerca de quatro a seis semanas.
O que é torção do ovário?
É quando o ovário, geralmente aumentado por um cisto, gira sobre si mesmo e interrompe a própria circulação. Causa dor súbita e intensa, muitas vezes com náuseas e vômitos. É uma emergência: procure atendimento imediatamente, pois a cirurgia rápida aumenta a chance de preservar o ovário.
Clínica Kleine · Ginecologia, Obstetrícia e Reprodução Humana<!–- [et_pb_br_holder] -–>Responsável técnico: Dr. Benedito N. Kleine · CRM-SP 41789 · RQE 48800. Conteúdo atualizado em outubro de 2026.
- American College of Obstetricians and Gynecologists (ACOG). Evaluation and Management of Adnexal Masses. Practice Bulletin nº 174. Obstet Gynecol. 2016;128(5):e210-e226.
- Andreotti RF, Timmerman D, Strachowski LM, et al. O-RADS US Risk Stratification and Management System: A Consensus Guideline from the ACR Ovarian-Adnexal Reporting and Data System Committee. Radiology. 2020;294(1):168-185.
- Becker CM, Bokor A, Heikinheimo O, et al. ESHRE guideline: endometriosis. Hum Reprod Open. 2022;2022(2):hoac009.
- Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (FEBRASGO). Protocolos sobre massas anexiais.
Conteúdo informativo, não substitui consulta médica. As informações desta página têm caráter educacional e não devem ser usadas para autodiagnóstico ou automedicação. Cada caso deve ser avaliado individualmente por um médico, conforme recomendação do Conselho Federal de Medicina.
Encontrou um cisto no ultrassom?
Agende uma consulta na Clínica Kleine para avaliar o seu exame e entender se é preciso acompanhar ou tratar.